Ela.
- Millena Calazans
- 15 de set. de 2019
- 2 min de leitura
E ela estava lá, em pé, com gotas d'água deslizando por suas curvas sinuosas, me encarando pelo espelho. E eu estava lá, atrás dela, admirando-a nua pela primeira vez, pela primeira vez ela estava à mercê. Intercalava seus olhares nos meus e em seus próprios, da mesma maneira que intercalava seu desejo de ser a presa ou o predador. Apenas à espera do bote.

Um brilho sublime a contornava, e quando mais claro, mais era difícil controlar minha falta de pudor. E a dificuldade se expandia por todo o quarto, invadindo o seu corpo e suas muralhas que tentavam esconder sua chama indelével. Entretanto, aquela era ela, de corpo e alma, aquele brilho que saia dela não era nada a mais do que ela própria, nada a menos que sua chama.
Seus olhos negros penetravam no âmago dos meus mais obscuros desejos, enquanto começava a passar suas mãos pelo corpo ardilosamente. Começando na barriga, subindo aos seios, contornando-os e suavemente apertando-os, passando a ponta de seus dedos pelo seu pescoço e o jogando sua cabeça levemente para trás e ficando na ponta dos pés, deixando-a mais formosa, mais sexy. E quanto mais ela fazia isso, menos eu conseguia ter alguma reação além de ficar hipnotizado pela sua libido.
Até que começou a caminhar lenientemente até mim. Pressionou suas mãos suavemente pelo meu colo nu, arranhando-o sutilmente, beijando minha pele, que desejava seus lábios toda a vez que estes a deixava. Ergueu-se e com um singelo beijo, deu-me anuência para caça-la.
Despiedadamente, joguei aquele pecaminoso anjo na cama e a beijei com veemência, passei minha mão pelo seu corpo, viajando do céu ao inferno, e permandecendo lá, sentindo e assistido aquele demasiado prazer que faziam suas pernas tremerem, suas costas envergarem e seus gemidos clamarem por mais. Minha hipertimia acompanhava seus batimentos cardíacos acelerados. Seu sorriso sacana me desarmava por completo. O gosto da saliva, do suor e de seu gozo já estava por todo o meu corpo, o odor que só o mais prazeroso sexo possui já impregnava o quarto, dando-nos mais tesão naquele momento.
Nossa dança se intercalava entre movimentos sincronizados e desajeitados, rápidos e lentos, na dilatação e contração de pulmões loucos por mais oxigênio, com o quarto sendo invadido pelos som de nossas respirações ofegantes e gemidos. Até que o mais genuíno gozo transbordasse nossos corpos.




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