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Millena

Calazans

Caos

  • Foto do escritor: Millena Calazans
    Millena Calazans
  • 15 de set. de 2019
  • 3 min de leitura

O que fazer quando se está com uma dor muito forte no coração e não sabe exatamente o que é? Você acaba associando à saudade de alguém que você ama, mas no fundo sabe que não é isso.

É um vazio. Gelado. Que aperta e trinca o peito. Uma dor quase insuportável... E o choro não vem, as lágrimas congelam antes mesmo de saírem. E não há ninguém que aqueça o seu coração e faça o peso sair. Você começa a se afastar de tudo e de todos. Nada te agrada, nada é bom, nada te anima, não há esperança em nada.

Qualquer barulho torna-se insuportavelmente irritante, nenhuma comida é tão boa. Você só quer ficar sozinha e ao mesmo tempo, só quer alguém que fique com você. Em silêncio, fazendo carinho no seu cabelo. Porém, não é qualquer pessoa que você quer... Você quer alguém que tenha certa sintonia contigo. Mas quem?

Afinal, nem com seus pais, nem com seus amigos, você encontra essa vibração específica. E você não sente paixão por mais ninguém. Você está sozinho. De novo. Até que você tenta se aproximar das pessoas de novo, mas a preguiça, o desânimo, às vezes até o medo, são maiores que sua força.

Se olha no espelho e não se reconhece. Está com cara de doente, como se não visse o sol há mais de um mês. Aquele não é você, e não tem ideia de onde se perdeu. Você só quer gritar, dar um fim nisso tudo, e gritar, e gritar, com toda a sua força e seu fôlego. Mas no fundo, isso não seria o suficiente. Sua vontade é de se isolar, largar tudo e se afastar de todos.

A situação só piora quando as gêmeas chegam. Não tem hora, nem lugar, às vezes nem motivo. As Gêmeas Paranoias são como aqueles parentes sem noção. Junto delas, vem o caos, o monstrinho de estimação. De vez em quando é uma visita de médico, outras é uma temporada de férias, nunca sabe quando elas vão embora, muito menos quando chegam.

E quando chegam... Seu mundo desaba na tua frente, e não tem tempo para você pensar em salvar alguma coisa, porque é você mesmo que destrói, elas fazem você destruir tudo. Absolutamente tudo. Você perde o controle de tudo. Elas te cegam por completo, colocam uma fumaça de ilusão para te desestabilizar e controlam cada milímetro da sua mente. Você se torna a máquina de destruição delas.

Fora aqueles dias que seu coração bate tão rápido e tão forte, a ponto de doer o peito. Sua vontade é de pegar ele com a mão e tira-lo de dentro de si. Parece que de tão rápido que ele bate, ele vai subindo pela sua garganta, impedindo que você respire e te forçando a vomitar. Você só deseja uma faca para cortar seu pulmão e deixar o ar entrar. A sensação é que tem um monstro subindo por dentro de você, tentando sair de qualquer maneira.

Seu corpo treme tanto que você quase implora por uma camisa de força e por tornozeleiras, apesar de serem em vão, afinal, suas pernas não têm mais força o suficiente para suportar o seu peso, que parece que triplicou.

Você começa a pingar, de tanto transpirar. O único desejo é uma piscina para você se afogar e acabar com esse inferno, que mistura o passado e o futuro. Então as gêmeas começam a gritar, e você também grita para que elas parem, mas elas não param. Você se transforma em uma máquina de destruição, as vezes de autodestruição. E a briga continua.

Não tem hora para começar, não tem hora para acabar, não tem uma cota diária. Elas podem te acordar, elas podem te impedir de dormir, elas não só podem, mas vão te paralisar. É o caos instaurado dentro da sua mente.

 
 
 

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