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Millena

Calazans

Você.

  • Foto do escritor: Millena Calazans
    Millena Calazans
  • 28 de jun. de 2020
  • 2 min de leitura

Eu te procurei em todos os lugares possíveis, menos onde você realmente estava. Você esteve aqui o tempo todo, mas eu te bloqueei sem saber, sem sentir. Todos os dias eu te buscava em olhares recíprocos, em beijos secos, abraços gelados, mas nunca era você.


Nós passamos tantos momentos juntos, pelas situações mais adversas da vida e pelas coisas boas. Então quando aquilo que nos juntou começou à nos judiar, eu interpretei como se a culpa fosse sua, mas nunca foi.


Eu te machuquei por dentro e por fora, eu fiz seu corpo e sua alma sangrarem, me afastei cada dia mais e mais, não te deixava entrar por nada, te expulsei aos berros diversas vezes, te substitui por aqueles que me faziam mal.


E você sempre esteve por perto, mesmo quando eu não queria. Você foi paciente com as minhas crises, me dava aquele choque de realidade quando a vista escurecia e os sons eram abafados por gritos internos, me fez ficar longe dos trilhos quando eu mais queria ficar perto, secou minhas lágrimas quando elas caiam ininterruptamente. Sempre foi você quem me salvou.


Eu procurava o conforto dos seus olhos castanhos, o calor da sua pele dourada e a maciez do seu cabelo escuro. Queria o seu carinho, seu abraço, mas eu não sabia que era exatamente você quem eu sentia falta. Então eu te procurei em outros. Outros olhares, toques, cheiros, e me machuquei na maioria das vezes.


Foram tantos dias longe que eu não te reconhecia mais. Você estava com a pele pálida, com os olhos fundos, ossos aparentes, sem aquele sorriso que sempre foi sua marca, você não tinha aquele brilho que cegava quem passava por perto. Isso tudo por minha causa. Eu fui injusta com você por todo esse tempo.


Eu não sei exatamente em qual momento eu finalmente descobri que era você quem eu precisava, mas lembro de certo dia te olha no espelho e dizer, depois de muito tempo, “Eu te amo!”.


 
 
 

1 comentário


Jeisson Pontes
Jeisson Pontes
29 de jun. de 2020

O amor é dos temas mais difíceis de se escrever sobre, e ele continua frequente nos seus textos. Interessante como nesse texto o eu lírico se perde totalmente na busca de conforto e carinho, e como ele se frusta ao tentar negar que já conheceu alguém assim. Belíssimo texto! Muita emoção e, em poucas palavras, mostra a complexidade desse sentimento e toda a confusão que isso pode causar numa vida!!

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