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Millena

Calazans

A Menina e o Campo de Tulipas Amarelas

  • Foto do escritor: Millena Calazans
    Millena Calazans
  • 15 de set. de 2019
  • 3 min de leitura

Campo de Tulipas Amarelas

Era uma vez uma menininha chamada Grace. Ela tinha cabelos escuros como o universo, olhos brilhantes como estrelas e tão profundos quanto um buraco negro e sua pele era dourada como o ouro.

A menina costumava brincar em um campo de tulipas amarelas. No meio desse enorme lugar havia uma árvore com um balanço pendurado, onde ela passava horas e horas do seu dia brincando.

Esse balanço não era igual a qualquer outro, ele era mágico! Todos os pensamentos da menina se tornavam realidade enquanto ela brincava. O polén tomava a forma de seus pensamentos, e essa era a sua companhia.

Certo dia, enquanto brincava, a menina avistara um homem no horizonte, onde o céu e o chão se encontram. Ela correu até ele e o puxou até o balanço. A menina começou a mostrar os poderes que tinha e ele ficou encantado pelo lugar e por Grace. Então ele se levantou e a convidou para conhecer o seu lugar mágico.

Durante a viagem a menina e o homem contaram histórias para o outro. Quando chegaram, tiveram que descer algumas escadas até o porão. O lugar era frio e escuro, chão estava molhado e cheio de poças d’água. Grace pulou de poça em poça, olhou para o homem e ele sorriu para ela. A menina se preparou para pular em outra poça, mas foi puxada. Quando ela olhou para seus braços havia correntes os prendendo. Ela resolveu usar as correntes como corda e pulou 10 vezes, quando olhou para o homem, ele a elogiou e sorriu novam.ente. Ela tentou pular mais uma vez, mas seus pés não saíram do chão. A menina olhou para baixo e seus pés também estavam acorrentados. Então ela simplesmente se sentou cabisbaixa.

O homem, apesar de ter a prendido, cuidou, deu carinho e atenção. Pouco tempo depois, a menina já estava dependente dele. Depois de alguns dias, o homem e a menina escutaram passos, eram duas pessoas. Expulsaram o homem para longe de Grace e tentaram tirar as correntes a todo o custo, mas não conseguiram.

A menina passou um bom tempo esperando pelo homem, mas ele não voltou. Então, decidia a sair daquele porão, ela tentou quebrar as correntes, mas não funcionou, estas eram tão duras quanto aço. Tentou puxar suas mãos, mas isso apenas a machucou. Vencida pelo cansaço, ela desistiu.

Com o tempo, a menina foi ficando cada vez mais magra e mais fraca, estava quase morrendo. Quando resolveu acabar com o sofrimento, ela levantou a mão e a corrente saiu. Ela levantou a outra, e a corrente caiu com toda a força no chão. Grace se levantou apoiando-se nas paredes e conseguiu tirar as correntes de seus pés. A menina não hesitou em correr.

Depois de muito andar, ela finalmente voltou para a sua casa. As tulipas estavam morrendo, então ela cuidou, deu amor e carinho. Pouco tempo depois, as tulipas, que antes eram apenas amarelas, tornaram-se douradas e com muito mais poder e brilho.

A menina correu até seu balanço e voltou a brincar. Outros homens foram ao Campo, mas ela nunca mais os acompanhou. Prometeu a si mesma que nunca mais deixaria o seu lar.

Foi então que Grace percebeu que apesar do homem ter a machucado, ela aprendera muita coisa nos momentos que passou sozinha. Ela aprendeu sobre si mesma, a ser mais forte. Com o passar do tempo, a menininha cresceu junto com suas belas tulipas, montou uma casa em cima da sua árvore, conheceu novas pessoas e ajudou outras meninas a amarem a si próprias antes de amar outra pessoa.

Hoje, o Campo de Grace alcança o horizonte, e quando termina, outras flores dão continuidade, flores de outras meninas tão fortes quanto a própria Grace.

 
 
 

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