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Millena

Calazans

Carta I

  • Foto do escritor: Millena Calazans
    Millena Calazans
  • 15 de set. de 2019
  • 3 min de leitura

"Como eu queria falar isso para você. Queria falar o tamanho da minha raiva, é tão grande que não cabe em mim. Ela chega a transbordar do meu corpo. Mas acima de tudo, queria que você pudesse sentir o quão chateada eu estou com você, principalmente pela forma de como você sumiu.

Eu acreditei quando você disse que achava que poderia dar certo, mas será mesmo que achou? Desculpa a minha desconfiança, mas atualmente, conquista-la é impossível e perde-la é a coisa mais fácil desse mundo! E bom... Você perdeu.

Tudo começou no dia 12 de Junho . Lembro o que se passava pela minha cabeça enquanto eu estava aninhada em seu colo. Lembro-me de quanto eu lutava comigo mesma para não ceder à paixão e ao apego, o quanto eu estava com medo de me machucar. De novo. E nisso, tive a sensação de ter aberto um buraco negro em volta de mim, e que você sentiu a força dele, o quanto ele sugava qualquer som vindo de mim, e os engolia, canalizando cada emoção, cada possibilidade e as transformando em pensamentos. Então você quebrou o silêncio.


- O que houve? Você ficou triste do nada


- Na verdade eu estou muito feliz, estou praticamente anestesiada. Só estou pensando...


- Pensando em o que?


- Muitas coisas


-Tipo?


- É melhor eu não falar agora - Acho que nesse momento você sacou o que de fato estava acontecendo e na guerra que estava havendo bem do seu lado. - Eu só estou com medo de dar merda, e eu me f* de novo - Então você me apertou e beijou minha testa.


- Não vai.


Foi nesse momento que eu comecei a permitir me entregar a você. Por mais que parte de mim dizia que poderia ser mentira. Talvez não fosse naquele momento, mas se transformou com o tempo.

E aos poucos você foi sumindo, e o que eu jurava ser uma calota de gelo resistente, na realidade era só uma lâmina de gelo que escondia um lago fundo e muito gelado. E justo eu, que possuo âncoras presas em meus tornozelos; justo eu que não deveria pensar em andar em algo semelhante, me atrevi a patinar.

Apesar de tudo, apesar das minhas infinitas e incansáveis tentativas de te trazer novamente, apesar das suas respostas ficarem cada vez mais curtas, contando exatamente 3...2...1...0. Apesar de tudo. Eu não consigo te odiar; ficar com raiva? Sim, mas é tão sutil... No momento eu estou chateada, mas o que vale meus sentimentos ruins para aquele que não se importou nem com os bons?

Eu tento te culpar para ser mais fácil te esquecer, te superar, mas são tentativas miseravelmente falhas. Parte de mim sabe que você não tem culpa de nada, e sim que eu te exaltei demais, eu que vi futuro em algo que era momentâneo. Eu tento empurrar tudo isso para você pelo simples fato de eu não aguentar mais meu coração acelerar toda vez que eu te vejo, principalmente naqueles momentos que eu não espero te ver. E eu sei que isso é inútil! Porque eu faço isso com o meu ex, e meu coração acelera da mesma forma. Acelera por paixão (no seu caso) e por medo, em ambos os casos.

Eu costumava sentir um prazer enorme em te ver, em falar com você, ou ficar ao seu lado, em te abraçar, e receber um beijo... Mas, agora, eu sinto um medo terrivelmente grande, é como se eu tivesse medo de você me machucar com essas coisas simples...

Mas de qualquer forma, meu carinho e meu orgulho por você conseguem superar qualquer outro sentimento. Afinal, você é um dos meus 6 lobos, você é o meu 3° lobo. O

lobo que me ensinou o que é sentir amor verdadeiro, mesmo que não retribuísse o sentimento, o que chega a ser cômico.

Eu te amo, Be, mas eu não gosto mais de você."

 
 
 

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