Isso nunca foi amor.
- Millena Calazans
- 20 de jan. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de fev. de 2020
Eu sempre pensei que você me fazia bem. O coração acelerado sempre teve um sentido positivo para mim. Talvez. Mas não... Hoje eu vejo que não. Mãos trêmulas, frias e molhadas de suor, falta de ar, o coração quase saindo pela boca e sem força. Você me fazia entrar em pânico. Eram nossos olhares se cruzarem, e pronto. Parecia que eu ia morrer a qualquer momento.
Lembra uma vez que você entrou com sua amiga no metrô e ficaram do meu lado, sem nem ao menos puxar um mísero assunto? Eu sei que você queria marcar sua presença ali, sei que queria me afetar. E conseguiu. Eu percebi que você me procurou quando chegamos à estação da Sé, visto que eu simplesmente desapareci no meio da multidão sem ao menos te olhar.
Quantas vezes vocês entraram no mesmo vagão que eu, me olhavam e viravam o rosto, ou me dava um sorriso de canto, falso. Quantas vezes eu descia estações antes com crises de pânico terríveis, e quantas vezes eu já escutei em casa quando eu demorava a chegar. Antes eu tivesse de fato com alguém.
Você realmente nunca percebeu o quão mal você me deixou? Ou você deixou isso acontecer porque inflava seu ego?
Sua falta de caráter conseguiu me salvar, pelo menos uma vez na vida. Nessa história, que eu posso chamar de nossa, suas ilusões diárias aconchegavam meu coração, que sangrava assim que eu te via. Talvez não deva agradecer a você, mas às suas amigas que permaneceram na sala de aula aquele dia.
Você não é capaz de imaginar a dor que eu estava sentindo. Enquanto meus pulsos sangravam, meu coração virava pó e as lágrimas manchavam a tinta do papel, você estava nos braços de outra pessoa. Obrigada por não saírem da sala, meninas.
Cinco folhas escritas à mão em apenas duas aulas, e uma decisão. Se elas não estivessem na sala, você definitivamente não estaria lendo isso. Você carregaria parte da culpa por torturar o coração de uma pessoa que já não tinha nenhuma força. E isso seria o mínimo, pois eu sei que você faz isso com outras pessoas. Você continua fazendo isso.
Se você soubesse a quantidade de vezes que eu cogitei me jogar na frente do metrô, ver aquela lança penetrando fundo no meu estômago, me arrastando por todo o trilho. Tudo para acabar com aquela dor insuportável que você me causava. Quantas vezes eu já pedi para meus amigos me encontrarem na Sé, só para você sair da minha mente, e eles me manterem longe da plataforma.
Como eu achei que isso poderia ser chamado de amor? Como eu pude deixar essa situação chegar até onde chegou? Porque você não me parou?
Se você realmente me amasse – como sempre disse – você não teria deixado chegar
até esse ponto. E não era para simplesmente perguntar se eu queria. Era para dizer que “NÃO!”. Seu ego sempre falou mais alto.
Mas, obrigada. De coração! Esses dois longos anos me permitiram amadurecer para finalmente dar valor a um coração que eu sei que me ama de verdade, com seus defeitos, mas com um amor puro e genuíno, um coração que jamais me machucaria. Minha sincera gratidão.




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